Publicado por: Robertha O. em: Fevereiro 27, 2009
São muitas as amarras. Do mundo, do corpo, dos outros, de nós mesmos. E elas – as amarras – fazem toda a diferença sobre o que somos, o que fomos e o que podemos ser. De todas, creio que as do corpo sejam a mais difíceis de se libertar, pelo menos no mundo que conheço. E foi assim com ela.
Sempre sábia e corajosa. Cuidou muito bem dos sete filhos, trabalhava e ainda tinha tempo para ser vaidosa. A maioria das mulheres daria tudo para aprender a equilibrar tudo isso. Ela simplesmente soube e o fez, com austeridade e doçura.
Até que o tempo começou a dar saltos, o mundo começou a mudar. A voz emudeceu, o corpo ficou imóvel. Ela que cuidava de tudo, precisou ser cuidada. O marido cuidou, mas acabou partindo. Também tinha amarras para soltar. Suas filhas,então, passaram a cuidar até que um dia ela dormiu e acordou num sonho de liberdade.
…a vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorarE assim chegar e partir
são só dois lados
da mesma viagem
O trem que chega
é o mesmo trem da partida
A hora do encontro
é também despedida…
(Milton Nascimento)